
Uma equipe de pesquisadores da Universidade Monash, na Austrália, identificou que doses baixas de aspirina reduziram em cerca de 70% o risco relativo de demência em idosos com características genéticas ligadas à maior contagem de plaquetas.
Os resultados foram publicados em 2026 na revista científica Alzheimer's & Dementia e se baseiam em dados de 13.541 voluntários.
Apesar do resultado expressivo, os autores alertam que o achado ainda não sustenta qualquer recomendação de uso do medicamento para esse fim.
O que o estudo mediu?
A investigação analisou dados genéticos coletados no estudo ASPREE, que comparou o efeito da aspirina com o de um placebo em uma população de idosos.
O foco recaiu sobre participantes com as pontuações mais elevadas em um escore genético relacionado à quantidade de plaquetas no sangue. Esse grupo correspondia aos 20% com maior pontuação no conjunto analisado.
Vale destacar que o critério era genético, e não simplesmente o resultado de um hemograma convencional.
Entre os idosos com aquele perfil genético específico, apenas 1% dos que receberam aspirina desenvolveram demência ao longo do acompanhamento. No grupo que recebeu placebo, a taxa chegou a 3,3%.
Essa diferença representa uma redução relativa de aproximadamente 70% entre os dois grupos. Em termos absolutos, porém, a variação correspondeu a cerca de 2,3 pontos percentuais.
O contraste entre os dois tipos de medida é fundamental para interpretar o resultado sem exagero.
O mesmo perfil genético associado à menor incidência de demência também apresentou um problema relevante: o risco de sangramentos graves foi aproximadamente o dobro em comparação ao restante da amostra.
Esse dado impede qualquer conclusão simplista sobre benefício clínico. Os autores são categóricos ao afirmar que a descoberta é exploratória e ainda não foi validada por estudos independentes.
A demência não é uma doença única, mas um conjunto de sinais e sintomas que afetam a memória e as funções cognitivas. Os principais sinais incluem:
O Sistema Único de Saúde oferece diagnóstico e tratamento multidisciplinar para pessoas com demência, inclusive Alzheimer, em centros de referência e unidades básicas de saúde.
Dados do Ministério da Saúde indicam que até 45% dos casos podem ser prevenidos ou retardados com intervenções adequadas. Um diagnóstico precoce amplia as possibilidades de manejo da condição e reduz a sobrecarga familiar.
Os pesquisadores definiram dois caminhos prioritários para avançar com os achados:
Enquanto essas etapas não forem concluídas, o resultado permanece sem respaldo suficiente para orientar decisões clínicas.
A combinação entre redução de demência e elevação do risco de sangramentos torna a equação ainda mais complexa para médicos e pacientes.
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