
A Prefeitura de Parauapebas apresentou, na manhã desta terça-feira, 13, as ações previstas no Plano Operacional Municipal de Saúde do Adolescente (POM-S), elaborado com base nas diretrizes do Selo Unicef. O documento foi validado pelos próprios adolescentes, em uma iniciativa que busca incorporar as necessidades e demandas desse público ao planejamento das políticas municipais de saúde.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), são considerados adolescentes os indivíduos com idade entre 10 e 19 anos. Em Parauapebas, são cerca de 46 mil pessoas nessa faixa etária, o que corresponde a 17% da população.
A atividade contou com a participação da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), por meio da Rede de Atenção Primária. A escuta dos adolescentes é uma das estratégias para promover a participação desse público na construção das ações, conforme explica André Reis, articulador do Selo Unicef em Parauapebas.
“Esse Plano é uma das entregas previstas nessa edição do Selo Unicef, que consiste em fazer um planejamento para dois anos, 2027 e 2028, com foco na saúde do adolescente do município. Então, a gente vem de um processo de sensibilização com a gestão, do levantamento de um diagnóstico, de uma linha de base de indicadores voltados para a saúde do adolescente. A partir desses indicadores, fomos para o processo de escuta com esses adolescentes”, detalhou André.
Mais de 2 mil municípios de 18 estados brasileiros participam da edição 2025–2028 do Selo UNICEF. Desse total, 143 são do Pará. Parauapebas vem se destacando com a implementação de iniciativas como a elaboração do Plano Operacional Municipal de Saúde do Adolescente.
A metodologia foi organizada para identificar as principais demandas dos adolescentes e indicar propostas de ação em cinco eixos: saúde mental; prevenção das violências; direitos sexuais e reprodutivos; imunização; e alimentação saudável.
“Eu participei da primeira escuta e posso dizer que gostei muito de ter contribuído. É uma forma de ouvirem o que a gente pensa em relação aos temas, para que a sociedade possa escutar a nossa voz e poder entender o que queremos e precisamos”, disse Nair Alessandra, integrante do Núcleo de Cidadania de Adolescentes (Nuca).
Para Rafael Souza, diretor da Atenção Primária à Saúde, as demandas apontadas pelos adolescentes foram fundamentais para a elaboração do Plano.
“Estamos aqui hoje apresentando, validando e firmando um acordo com os adolescentes. Foi a partir das escutas, da participação deles, que a gente consegue estar mais atento aos pontos indicados, para melhorar ainda mais os serviços e facilitar o acesso à rede de saúde”, afirmou Rafael.
“Eu achei muito interessante esse projeto, principalmente porque teve a participação dos próprios adolescentes, abordando tudo o que os jovens mais pautam e de que mais precisam de ajuda, principalmente a questão da saúde mental e também da vacinação nas escolas”, relatou a estudante Amanda Monteiro.
O Plano Operacional Municipal de Saúde do Adolescente será encaminhado ao Conselho Municipal de Saúde e executado ao longo de 2027 e 2028, com acompanhamento e monitoramento das ações previstas para garantir a implementação das propostas.
Principais propostas do Plano
Imunização: realizar busca ativa de adolescentes com o esquema vacinal incompleto, priorizando a vacina contra o HPV, e divulgar permanentemente o calendário de vacinação.
Saúde mental: realizar rodas de conversa, oficinas de escuta e ações de educação em saúde mental, com foco na promoção do cuidado e no fortalecimento de fatores de proteção; além de fortalecer as ações de prevenção ao uso de álcool, tabaco e outras drogas.
Alimentação saudável: realizar oficinas sobre alimentação saudável, práticas corporais e atividade física; intensificar a avaliação antropométrica (peso e altura) e o registro de informações no Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional e no Programa Saúde na Escola; e estimular ambientes alimentares saudáveis nas escolas e em seus entornos, incluindo a alimentação escolar.
Saúde sexual e reprodutiva: intensificar ações que abordem o autocuidado, o consentimento e a prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) e da gravidez na adolescência; ampliar a testagem rápida para HIV, sífilis e hepatites virais, bem como o diagnóstico de outras IST, conforme os protocolos do Ministério da Saúde; e garantir o acesso a preservativos e aos métodos contraceptivos indicados e disponíveis na rede.
Prevenção das violências: intensificar oficinas de cultura de paz e de prevenção da violência sexual, do bullying, do cyberbullying e da violência digital; fortalecer a identificação, a notificação compulsória no Sistema de Informação de Agravos de Notificação, o acolhimento e o encaminhamento à rede de proteção, em consonância com a Lei nº 13.431/2017; e promover ações intersetoriais e eventos culturais com foco em direitos e proteção.
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