
Além de serem dois municípios onde o minério escorre como sangue vital para a engrenagem produtiva, Parauapebas e Canaã dos Carajás são terras férteis para os fiéis que engrossam as fileiras das igrejas evangélicas. Na “Capital do Minério”, 95.907 (43,49%) dos moradores declararam ao Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que são adeptos do protestantismo. Já na “Terra Prometida”, essa proporção é de 28.962 (46,11%) pessoas.
Geograficamente próximos, os municípios estão distantes no quesito tamanho da população. Uma estimativa do IBGE, divulgada em julho de 2024, indica que Parauapebas alcançou a marca de 298.854 habitantes, enquanto Canaã possui um terço desse total, com uma população de 86.629 moradores.
Mas, proporcionalmente, as localidades possuem dados semelhantes quando se fala sobre a religião de seus habitantes. Assim como o percentual de evangélicos é parecido, o de católicos segue a mesma tendência.
Tanto em Parauapebas quanto em Canaã dos Carajás, a Igreja Católica já não lidera o cenário religioso. Com 85.425 fiéis em Parauapebas e 24.876 em Canaã, o catolicismo aparece com 10,92% e 14,10% menos seguidores, respectivamente, em relação aos protestantes. Essas semelhanças se afastam quando é feita a análise de dados de outras religiões.
O espiritismo reúne 991 (0,45%) adeptos em Parauapebas, enquanto as religiões de matrizes africanas somam 356 (0,16%). Aqueles que seguem outras religiões chegam a 9.790 (4,44%) e 27.572 (12,5%) não são adeptos de nenhuma. Já em Canaã, são 132 (0,21%) espíritas, 250 (0,4%) matrizes africanas, 2.843 (4,53%) de outras religiões e 5.743 (9,14%) não seguem nenhuma.
Os municípios, marcados pela força da mineração, mostram como a fé se adapta e se transforma. Embora compartilhem semelhanças na proporção de evangélicos e católicos, as diferenças nas outras crenças e no número de pessoas sem religião revelam a diversidade e a complexidade do cenário religioso local.
SEXO, RAÇA E COR
Entre os moradores de Parauapebas e Canaã dos Carajás, o público feminino é maioria entre os fiéis evangélicos.
Na “Terra Prometida”, 52,83% das pessoas que se declaram evangélicas são mulheres, enquanto os homens somam 47,17%. Já na “Capital do Minério”, essa diferença é ainda mais acentuada: 54,58% dos evangélicos são do sexo feminino. O dado contrasta com os percentuais observados nas pessoas sem religião, grupo no qual os homens representam mais da metade em ambos os municípios, sendo 57,49% em Parauapebas e 57,23% em Canaã.
A Igreja Católica, por sua vez, reúne uma leve maioria de homens em ambas as cidades. Em Canaã, 53,49% dos católicos são do sexo masculino, e em Parauapebas, 52,5%. Isso mostra que, embora o catolicismo esteja em declínio na comparação com o crescimento evangélico, segue mais equilibrado em relação à distribuição por sexo, algo que não se observa com a mesma intensidade entre os evangélicos.
O recorte racial revela que as religiões evangélicas têm maior adesão entre pessoas negras e pardas nas duas cidades. Em Canaã, 47,47% dos evangélicos se identificam como pretos e 47,16% como pardos. Em Parauapebas, os percentuais são de 41,51% e 44,27%, respectivamente. Já a presença de pessoas brancas é mais expressiva entre os católicos: em Canaã, 41,93% dos católicos se declaram brancos; em Parauapebas, 39,55%.
As religiões de matriz africana, como umbanda e candomblé, seguem um padrão comum nos dois municípios: são praticadas majoritariamente por pessoas pretas e pardas. Em Canaã, 21,53% dos adeptos se identificam como indígenas, enquanto em Parauapebas esse percentual é de 20,12%.
Os dados do Censo revelam que, embora a geografia e a economia aproximem Parauapebas e Canaã dos Carajás, os caminhos da fé são moldados por gênero, raça e herança cultural. As igrejas evangélicas crescem com força entre mulheres negras e pardas, enquanto as religiões de matriz africana resistem em territórios historicamente marcados por conflitos e diversidade. O retrato religioso desses municípios ajuda a entender não só em que se acredita, mas quem são os joelhos que sustentam essas escolhas.
Por Luciana Araújo
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